As ordens judiciais foram cumpridas nas cidades goianas de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia nesta terça-feira.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta terça-feira (16), a Operação Cenário Montado Gyn, que investiga um esquema estruturado de fraudes em licitações públicas envolvendo a Prefeitura de Barra do Garças. A ação resultou no cumprimento de 30 ordens judiciais, incluindo sete prisões preventivas, bloqueio e sequestro de mais de R$ 4,2 milhões, além da suspensão das atividades de duas empresas suspeitas de integrarem o esquema.
Segundo as investigações, empresários, funcionários de empresas e servidores públicos teriam atuado de forma organizada para direcionar certames, simular concorrência, utilizar empresas de fachada e inflar preços em contratos públicos, especialmente no setor de produção de eventos e shows. As ordens judiciais foram expedidas pela 2ª Vara Criminal de Barra do Garças e cumpridas no município e nas cidades goianas de Aparecida de Goiânia e Aragoiânia, com apoio da Polícia Civil de Goiás e da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core).
A operação é um desdobramento das fases anteriores Cenário Montado I e II, deflagradas em março e maio deste ano, e é conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças. As investigações começaram em janeiro de 2025, a partir de informações do Gaeco, inicialmente para apurar irregularidades em licitações no município de Pontal do Araguaia. De acordo com a Polícia Civil, somente três pregões analisados em Pontal do Araguaia somaram cerca de R$ 25,8 milhões, com possibilidade de adesões por outros municípios que poderiam elevar o montante para até R$ 51,7 milhões. Análises técnicas apontaram superfaturamento de até 372% em itens como palcos, iluminação, geradores e telões de LED.
Após as primeiras operações, a polícia identificou queda imediata nos preços praticados, o que reforçou a suspeita de manipulação de pesquisas de mercado e ausência de competitividade real. Com o avanço das apurações, foi constatado que o mesmo modelo fraudulento teria sido replicado em outros municípios da região, incluindo Barra do Garças, por meio da adesão a atas de registro de preços originadas em Pontal do Araguaia.
No caso de Barra do Garças, as investigações apontam indícios de subcontratação integral irregular, execução contratual simulada e continuidade das atividades por empresas ligadas a grupos já sancionados judicialmente. O prejuízo inicialmente identificado ao erário no núcleo central da operação foi estimado em R$ 4.208.302,96. Nas fases anteriores, a Justiça já havia determinado o sequestro de bens que ultrapassam R$ 21 milhões.
As investigações seguem em andamento, com análise de documentos e dados bancários, telefônicos e telemáticos. A Polícia Civil não descarta novas fases da operação e o avanço das responsabilizações, conforme a produção de novas provas.



