Crise envolve liquidação de banco por “créditos fantasmas”, contrato milionário da esposa de Alexandre de Moraes e denúncias de interferência política

O que começou como uma investigação da Polícia Federal sobre um rombo bilionário em um banco privado transformou-se em uma das maiores crises institucionais de 2025. O “Caso Master” agora coloca frente a frente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o Banco Central (BC), em meio a denúncias de tráfico de influência e conflito de interesses.
O Banco Master, que vinha registrando um crescimento agressivo no mercado, tornou-se alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A investigação descobriu um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito inexistentes (os chamados “créditos fantasmas”) que somam uma fraude de R$ 12,2 bilhões.
Diante da gravidade, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025. O presidente do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso.
O Elo com o Ministro Alexandre de Moraes
O nome de Moraes entrou na história devido a dois fatos que geraram suspeitas de conflito de interesses:
-
O Contrato Milionário: O Banco Master mantinha um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O valor, considerado acima do praticado pelo mercado, previa que o escritório representasse o banco onde fosse necessário.
-
A Suposta Pressão: Segundo o jornal O Globo, Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao menos quatro vezes para tratar da situação do Master, especificamente sobre uma tentativa de venda do banco para o BRB (Banco de Brasília) que evitaria a sua quebra.
A Defesa de Moraes e a “Lei Magnitsky”
Moraes nega qualquer pressão. Em notas oficiais, o ministro explicou que se reuniu com o chefe do Banco Central para tratar de um assunto pessoal: a Lei Magnitsky. Em julho de 2025, o governo dos EUA impôs sanções contra o ministro e sua esposa, bloqueando suas contas e cartões de crédito. Moraes afirma que buscou o BC apenas para saber como manter sua movimentação bancária no Brasil sob essas restrições internacionais.
A crise ganhou novos capítulos nesta semana de Natal. Informações da Folha de S. Paulo sugerem que Moraes teria procurado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para saber detalhes da investigação contra o Master. Rodrigues nega a conversa.
O ministro Dias Toffoli, relator do inquérito no STF, convocou para o dia 30 de dezembro um encontro face a face entre o dono do banco (Daniel Vorcaro) e a cúpula do Banco Central para esclarecer se houve, de fato, interferência política no caso.



