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Líder de organização criminosa com sede em Goiás é condenado a mais de 100 anos de prisão

Grupo aplicava golpes on-line em vítimas de todo o país, o líderdo grupo terá que indenizar vítimas em 5 milhões 

O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGaeco), obteve a condenação de 17 acusadas e acusados que integravam uma organização criminosa especializada na aplicação de golpes cibernéticos contra vítimas em todo o país. Wanderson Barbosa da Silva, que exercia a função de líder do grupo, foi condenado a 106 anos e 9 meses de reclusão. A sentença foi proferida pela 2ª Vara dos Feitos Relativos às Organizações Criminosas e Lavagem de Capitais do Estado de Goiás.

Os condenados faziam parte de um esquema criminoso desarticulado pela Operação Darkholme, deflagrada em 24 de julho de 2024, em parceria com a Polícia Militar de Goiás. A organização utilizava o aplicativo WhatsApp para enganar vítimas, entre as quais estavam pessoas idosas, algumas com mais de 70 anos de idade.

As investigações, iniciadas pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo (núcleo Bauru), apontaram que um dos envolvidos movimentou mais de R$ 3 milhões nos últimos anos. Além disso, apenas um dos aparelhos utilizados pelos criminosos operou com 67 chips de DDDs distintos em menos de 40 dias.

Apurou-se que a organização realizou milhares de contatos telefônicos visando aplicar golpes. Apenas em um único aparelho celular apreendido haviam 77.943 contatos com possíveis vítimas em todo o país.

Durante a operação, foram localizadas milhares de fotografias de alvos, preferencialmente profissionais da advocacia e da medicina, além de contatos de seus familiares. As e os integrantes do grupo eram responsáveis por organizar uma grade de vítimas, coletar fotografias e realizar contatos se passando pelo titular do telefone, porém utilizando um número novo.
A denúncia foi apresentada pelo CyberGaeco em 2024, imputando aos investigados os crimes de organização criminosa, fraude eletrônica e lavagem de capitais, praticados reiteradamente.

Além de Wanderson Barbosa, também foram condenados às respectivas penas:

• João Gabriel de Oliveira Siqueira – 47 anos e 4 meses
• Glauber Henrique Rustiguel do Nascimento – 45 anos e 5 meses
• Alexandre Pereira da Silva – 45 anos e 4 meses
• Fernando dos Santos Oliveira – 41 anos e 10 meses
• Kelle Cristina Sousa Lima – 26 anos e 8 meses
• Felipe Pereira Machado – 22 anos e 4 meses
• Elias Júnior de Oliveira Clarindo – 20 anos e 11 meses
• Thalita Rodrigues de Jesus – 20 anos
• Michael Jacson Pereira da Silva – 20 anos
• Rodrigo de Jesus Ferreira – 18 anos e 11 meses
• Lorrayne Gabriela de Souza – 12 anos e 2 meses
• Fernando Barbosa da Silva – 11 anos e 1 mês
• Jhonny Galdino Leda – 5 anos
• Tairany Neves do Nascimento – 4 anos e 10 meses
• Danielle Braga Carapina – 4 anos e 10 meses
• Pablo Felipe Alves dos Santos – 4 anos e 4 meses

Reparação de danos

A sentença determinou que as (os) condenadas (os) paguem, de forma solidária, indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões, além da reparação às vítimas específicas dos golpes. Na decisão, foi destacado que “somente cinco dos integrantes da organização criminosa movimentaram mais de R$ 14.000.000,00 durante o período investigado (2021–2024), sem considerar contas com saldo inferior a R$ 100.000,00. Sem dúvidas, a operacionalização de esquema criminoso altamente estruturado por anos, proporcionador de práticas delitivas em larga escala, em face de milhares de vítimas país afora e com lucratividade milionária, causou severos danos à coletividade, impondo-se a reparação”.

O juízo também decretou o perdimento de todos os bens móveis e imóveis, bem como dos valores apreendidos, sequestrados e bloqueados durante as investigações. Os dispositivos eletrônicos foram utilizados como instrumentos diretos para a prática dos crimes, enquanto dinheiro em espécie, cheques, joias, veículos e imóveis foram considerados proveitos diretos das atividades criminosas.
Os valores sequestrados serão transferidos para conta judicial e, após o trânsito em julgado, destinados ao ressarcimento das vítimas.

Cuidado com contatos em mídias sociais

A Operação Darkholme foi deflagrada em 24 de julho de 2024 para o cumprimento de seis mandados de prisão e cinco de busca e apreensão em Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo. A ação contou com o apoio da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) do MPGO e com a atuação de 50 agentes públicos, entre promotoras e promotores de Justiça, policiais militares e servidoras e servidores do MPGO.

O CyberGaeco reforça a necessidade de cuidado com as mídias sociais e com contatos realizados por números desconhecidos, mesmo quando aparentam ser de pessoas conhecidas.

Fonte: A Redação –

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