Operação Philia Ficta cumpriu mandados em cidades de São Paulo e investiga grupo que enganava mulheres por meio de relacionamentos virtuais

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na última terça-feira (3), a primeira fase da Operação Philia Ficta — expressão em latim que significa “amor falso” — para investigar um esquema de estelionato amoroso que fez vítimas em diferentes regiões do país. A ação foi conduzida pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher I (Deam I).
Durante a ofensiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas cidades de Embu das Artes, Guarulhos e Carapicuíba, no estado de São Paulo. O objetivo foi coletar novos elementos de prova e desarticular uma organização criminosa suspeita de enganar mulheres por meio de relacionamentos virtuais com finalidade financeira.
De acordo com as investigações, o grupo utilizava perfis falsos para estabelecer vínculos afetivos com as vítimas. Em seguida, após conquistar confiança e proximidade emocional, passava a solicitar transferências de dinheiro sob diferentes justificativas. O prejuízo estimado causado pelo esquema ultrapassa R$ 500 mil.
Segundo o relato, o homem afirmava ser filho de mãe brasileira e pai chinês e chegou a mencionar que já teria vivido em Planaltina, no Distrito Federal. Com o passar do tempo, a comunicação evoluiu para um relacionamento virtual mantido por aplicativos de mensagem. Durante as conversas, ele demonstrava interesse amoroso, enviava fotos e áudios em português e chegou a pedir a vítima em casamento.
Para reforçar a narrativa, o suspeito também dizia ter uma filha menor, que passou a trocar mensagens com a mulher por e-mail. As conversas eram frequentes e buscavam consolidar o vínculo emocional.
Meses depois, o suposto militar alegou ter encontrado uma caixa com dinheiro durante uma missão no exterior e disse que enviaria o valor à vítima, junto com um anel de noivado, por meio de uma empresa de transporte internacional.
Em seguida, a mulher começou a receber mensagens atribuídas à suposta transportadora, solicitando pagamentos referentes a taxas alfandegárias e outros custos necessários para a liberação da encomenda.
Sem possuir o valor solicitado, a vítima contraiu empréstimos com juros elevados para realizar os pagamentos. O prejuízo final ultrapassou o equivalente a mais de um ano de salário da mulher, que também relatou forte abalo emocional após descobrir a fraude.
A Polícia Civil alerta que esse tipo de crime tem crescido em todo o país e frequentemente explora vínculos afetivos para manipular vítimas. O fenômeno é descrito pela pesquisadora Valeska Zanello como “dispositivo amoroso”, conceito que aponta como expectativas sociais relacionadas ao amor e ao cuidado podem ser instrumentalizadas em golpes desse tipo.
Diante do aumento desses casos, a PCDF orienta que pessoas desconfiem de relacionamentos virtuais com desconhecidos, especialmente quando há pedidos de dinheiro ou cobranças relacionadas a supostas encomendas internacionais ou taxas de liberação.
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa, localizar novas vítimas e rastrear os recursos obtidos pelo grupo.


