
Alvo de operação da Polícia Federal, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é um dos líderes do centrão em Brasília. Caracterizado pelo pragmatismo político, ele já gravitou da base de apoio de governos petistas para a Esplanada dos Ministérios de Jair Bolsonaro (PL) e tentou o apoio de Lula (PT) após fracassar na tentativa de ser vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em uma eventual chapa presidencial.
A PF cumpriu mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (7) em endereços do congressista no âmbito de nova fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Banco Master.
O senador nasceu em 1968, em Teresina, no Piauí. Formado em direito pela PUC-RJ, foi deputado federal por quatro mandatos, de 1995 a 2011. A partir de então chegou ao Senado Federal, tendo sido eleito de novo em 2018. Desde 2013, preside o Progressistas.
Com histórico de figurar ao lado do poder, já apoiou e rasgou elogios a Lula (PT). Chegou a chamar o petista de o “melhor presidente da história, principalmente para o Piauí e Nordeste”. Também sempre manteve diálogo com o atual ocupante do Executivo federal.
Na gestão do ex-presidente, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil, um dos ministérios mais importantes da Esplanada. A pasta tem a função de organizar e coordenar as ações do governo, assim como atuar na articulação de ministérios.
Nessa condição, foi porta-voz do anúncio de que o governo Bolsonaro faria a transição de governo para o petista, no fim de 2022.
No governo Lula, foi um vocal defensor da saída do PP do governo e tentou articular uma vaga de vice em eventual chapa presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Frustrada a pretensão, em 2025, o senador foi recebido pelo presidente Lula às vésperas do Natal na Granja do Torto. O pedido veio do próprio Ciro Nogueira, e encontro contou com a participação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Segundo relatos, o líder partidário procurou o petista em busca de um acordo para renovar o mandato de senador pelo Piauí. Um aliado de Ciro Nogueira afirmou que a proposta era para não atrapalharem a candidatura. Em troca, o PP se afastaria de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o que acabou por não ocorrer.



