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Trans fakes ; trans presas na colmeia denunciam que estão sendo estupradas por homens que se passam por mulheres dentro do presídio feminino do DF

Criminosos cisgêneros, os “transfakes” chegam na Colmeia transformando a ala de mulheres transexuais em um cenário de abusos e espancamentos

Nos corredores de concreto armado da Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), a “Colmeia”, no Gama, o silêncio não é sinal de paz, mas de medo. O marco de dignidade humana que garante o direito de mulheres transexuais cumprirem pena em alas femininas, tornou-se o palco de um pesadelo.

Homens cisgêneros estão simulando identidades de gênero para invadir o espaço feminino. São os chamados “trans fakes”. Os primeiros ataques foram relevados em fevereiro deste ano.

O objetivo da infiltração é sinistro: dominar o território, subjugar as internas legítimas e instaurar um regime de terror sexual e físico. Segundo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisa e Promoção de Direitos Humanos (INPDH), Allysson Prata, que conduziu umas série de entrevistas com internas da Colmeia, foram colhidos relatos estarrecedores que chegam de dentro das celas e desenham um quadro preocupante. Mulheres transexuais encontram-se à mercê de agressores que mantêm a força física e a mentalidade de presos masculinos do sistema prisional.

A dinâmica, de acordo com o conselheiro ouvido pela coluna, é brutal. Caso a interna trans se negue a manter relações sexuais com esses infiltrados, a resposta é imediata e violenta. O “não” é silenciado com socos, chutes e espancamentos que deixam marcas profundas.

Desespero

A gravidade da situação atingiu um ponto onde mulheres transexuais estão protocolando pedidos para retornar ao sistema prisional masculino. Para muitas, o risco iminente de morte e a tortura psicológica na ala feminina tornou-se mais insuportáveis do que o estigma de uma prisão masculina.

Além da violência direta, a convivência é descrita como insustentável. Há denúncias de que criminosos condenados por violência severa contra a própria população LGBTQIA+ estão sendo alocados no mesmo espaço que suas vítimas potenciais, criando um ciclo de re-vitimização perpétuo.

O impacto atravessa as grades e atinge as policiais penais. As servidoras enfrentam um cotidiano de tensão contínua e insegurança funcional. Lidar com homens que se passam por mulheres exige uma vigilância que o sistema, atualmente, não está preparado para oferecer de forma segura, gerando constrangimentos éticos e riscos físicos para as agentes.

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seape-DF) informou em nota ao Metrópoles que “todas as ocorrências formalmente comunicadas são apuradas e, sempre que necessário, são adotadas as medidas administrativas, assistenciais e operacionais cabíveis”.

“A Seape/DF ressalta ainda que foi observada uma redução no quantitativo de reeducandas trans custodiadas na PFDF, situação que contribui para melhor gestão da ala e acompanhamento individualizado das internas”, comunicou a secretaria em nota.

Posicionamento da VEP

O levantamento aponta que a mudança de gênero, em muitos casos, ocorre após o início do processo, escancarando o método desleal para migrar de presídios masculinos de segurança máxima para a Colmeia.

“Como em qualquer política pública, podem ocorrer casos de abuso de direito, inconsistências ou eventual falseamento de informações pessoais. Para essas situações, o sistema prisional e a VEP dispõem de fluxo de verificação consolidado e amplamente divulgado às equipes técnicas, que inclui análise documental, escuta qualificada e avaliação multidisciplinar. Quando necessário, as medidas são revistas com atuação pontual caso a caso”, disse ao Metrópoles a VEP, em nota.

O que diz a Seape/DF sobre as denúncias

Em resposta ao Metrópoles, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape/DF) informou as denúncias são apuradas e, quando é o caso, medidas cabíves são adotadas. Além disso, afirmou “que os procedimentos relacionados à custódia de mulheres transexuais no sistema penitenciário do Distrito Federal seguem os parâmetros estabelecidos pela legislação vigente”.

A pasta destacou que a definição da custódia em ala específica ocorre a partir da autodeclaração da própria custodiada quanto à sua identidade de gênero, sendo a análise e deliberação acerca da transferência submetidas ao Poder Judiciário, observados os critérios legais.

Além disso, as detentas trans recebem atendimento de saúde e psicológico, com profissional especializado em gênero.

“A Seape/DF destaca que a Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF) desenvolve diversas ações voltadas especificamente ao acolhimento, assistência e acompanhamento das reeducandas trans. Entre as iniciativas ofertadas estão acompanhamento psicológico contínuo, acolhimento emocional semanal, acesso à educação formal, participação em oficinas profissionalizantes e terapêuticas — como a atual oficina de crochê — além de ações voltadas à promoção da saúde.

Por Metrópolis 

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