Bem-vindo – 14/06/2026 01:31

Empate com Marrocos expõe erros de Ancelotti e o que salvou foi individualidade de Vini Jr

Os testes contra Panamá e Egito mostraram problemas de organização, dificuldade de criação e pouca intensidade. Mesmo assim, o treinador manteve praticamente a mesma estrutura para a estreia.

A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo (empate de 1x 1 com Marrocos) confirmou exatamente aquilo que já parecia evidente desde os amistosos preparatórios. E, para ser redundante, confirmou o que era previsível demais. O Brasil ainda é um time em construção, o sofrimento já era esperado e a principal conclusão após o empate com Marrocos é que Carlo Ancelotti insistiu por tempo demais em uma base que já havia dado sinais claros de que não funcionava.

A seleção brasileira passou boa parte dos primeiros 45 minutos correndo atrás da bola. E o gol marroquino surgiu de uma falha coletiva difícil de explicar em um time desse nível. Em um contra-ataque simples, Marquinhos e Gabriel Magalhães hesitaram na marcação, ficaram esperando a definição um do outro e permitiram que o atacante adversário avançasse livre para finalizar sem qualquer chance para o goleiro brasileiro.

O prejuízo poderia ter sido maior. Marrocos continuou encontrando espaços e criou outras oportunidades para ampliar o placar. O Brasil só conseguiu reagir graças ao talento individual de Vinícius Júnior. Em uma de suas melhores atuações com a camisa da seleção, o atacante chamou a responsabilidade, marcou um belo gol e foi praticamente o único jogador brasileiro capaz de desequilibrar o sistema defensivo marroquino. Correu, brigou por cada bola e transformou-se no principal motivo para o Brasil permanecer vivo na partida.

No segundo tempo, Ancelotti finalmente mexeu na equipe. E as mudanças tiveram efeito imediato. A saída de Ibanez, improvisado na lateral-direita, e de Casemiro, que mais uma vez mostrou dificuldades para acompanhar o ritmo do jogo, trouxe mais equilíbrio ao time. Os dois já estavam amarelados e acumulavam problemas de posicionamento e execução.

Mas as correções poderiam ter sido ainda mais profundas. Além de Ibanez e Casemiro, outros jogadores passaram praticamente despercebidos. Raphinha, um dos grandes nomes do Barcelona, teve uma atuação apagada e chegou ao intervalo sem conseguir participar efetivamente das jogadas ofensivas. Igor Thiago, escalado como centroavante, também não conseguiu finalizar com perigo nem servir como referência no ataque.

Na prática, o Brasil jogou o primeiro tempo com três ou quatro atletas muito abaixo do necessário para uma estreia de Copa do Mundo. E isso ficou ainda mais evidente quando as substituições foram realizadas. A equipe passou a controlar a posse de bola, criou oportunidades, empurrou Marrocos para trás e mostrou que existe uma versão muito mais competitiva da seleção.

O empate deixa uma mensagem clara. O Brasil ainda tem potencial para crescer durante a competição, mas a partida também revelou que alguns dos problemas identificados nos amistosos continuam sem solução. A construção do time segue em andamento, mas a estreia mostrou que o principal obstáculo talvez não seja a falta de tempo, e sim a insistência em escolhas que já haviam demonstrado suas limitações.

A boa notícia para a torcida é que a reação veio e mostrou caminhos. A má notícia é que Carlo Ancelotti precisou de 45 minutos para enxergar algo que os amistosos já haviam escancarado.

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