Bem-vindo – 03/02/2026 22:14

Bolsonarismo vê Caiado como peça-chave para impedir que Lula vença no 1º turno

O ex-presidente Jair Bolsonaro demonstra entusiasmo com a candidatura do governador goiano. Por isso é possível sugerir que tem dois candidatos — Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado

Cúpula mais influente do bolsonarismo, avalia que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), deixou de ser apenas um ativo regional para se tornar uma engrenagem central no tabuleiro da sucessão presidencial. Para esse grupo, sua entrada na disputa é considerada essencial não apenas para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas para impedir uma vitória do petista já no primeiro turno.

A leitura predominante nesse campo político é a de que outros nomes ventilados no PSD — como os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) — não teriam densidade política nem musculatura nacional suficientes para confrontar Lula em condições de equilíbrio. Num embate direto, avaliam aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, ambos seriam engolidos pela experiência e pela capacidade de articulação do atual chefe do Executivo federal.

Caiado, por outro lado, é visto como um adversário de outro calibre. Com trajetória longa na política nacional, discurso afiado e histórico de oposição ao PT, o governador goiano é considerado capaz de explorar com eficiência o ponto mais vulnerável do governo Lula: a segurança pública. Nesse terreno, apostam bolsonaristas, o presidente teria dificuldades para sustentar o debate.

O receio em relação a Caiado não se limitaria aos bastidores da direita. Entre aliados do próprio presidente, há o reconhecimento de que o governador de Goiás reúne atributos que faltam a outros potenciais adversários. Enquanto Lula carrega o peso da experiência acumulada ao longo de décadas, Caiado poderia contrapor um modelo de gestão estadual apresentado como moderno e eficiente, especialmente no combate à criminalidade.

A segurança pública em Goiás é frequentemente apontada como uma das mais bem avaliadas do país, contraste evidente com o cenário nacional. O avanço de facções como o PCC e o Comando Vermelho, que ampliaram sua presença territorial nos últimos anos, é atribuído por críticos à omissão do poder público federal — embora o diagnóstico reconheça que o problema atravessa diferentes governos, de Fernando Henrique Cardoso a Jair Bolsonaro, sem exceções relevantes.

Nesse contexto, a presença de Caiado na disputa é vista como fator de desequilíbrio para Lula. A ausência do governador, avaliam estrategistas do bolsonarismo, abriria espaço para que o presidente repetisse o desempenho de 2022, quando esteve perto de liquidar a eleição no primeiro turno, mesmo fora do poder.

Hoje no Palácio do Planalto, Lula atua para ampliar sua base, avançando sobre partidos do chamado centrão, como o União Brasil, presidido por Antonio Rueda, e o Progressistas, do senador Ciro Nogueira. A estratégia visa reduzir riscos e fragmentar adversários ainda na largada.

Flávio Bolsonaro (PL) segue como alternativa no campo da direita, mas mesmo aliados reconhecem seus limites. Articulado nos bastidores, o senador careceria de estatura política para enfrentar Lula em debates diretos e na arena nacional — desvantagem que não se aplicaria a Caiado, considerado um “profissional da política” com vivência comparável à do presidente.

A aposta final do bolsonarismo passa por um cálculo pragmático: dividir forças no primeiro turno, mas chegar unido ao segundo. Nesse cenário, tanto Ronaldo Caiado quanto Flávio Bolsonaro seriam opções viáveis para enfrentar Lula. Sem o governador goiano no páreo, porém, o risco de uma definição antecipada cresce — e, com ele, a chance de a eleição acabar antes de começar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *