Segundo as informações, Arthur seria responsável pelas entregas dos medicamentos falsificados, enquanto Suede atuava de casa, captando clientes.

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Central Geral de Flagrantes, prendeu neste sábado (1º) um casal de alto padrão suspeito de integrar um esquema de falsificação, adulteração e comercialização ilegal de medicamentos de uso controlado, como Retatrutide e Tirzepatida (T.G.15 e T.G.12,5).
A operação foi coordenada pelo delegado Humberto Teófilo, após denúncias anônimas recebidas pelo WhatsApp da Central de Flagrantes (62 99139-0755). Segundo as informações, Arthur seria responsável pelas entregas dos medicamentos falsificados, enquanto Suede atuava de casa, captando clientes e intermediando as vendas.
De acordo com as denúncias, o casal já teria histórico criminal fora do país, com investigações em andamento no Reino Unido por tráfico de drogas. No exterior, eles mantinham um restaurante chamado Goianão, que foi fechado antes do retorno deles ao Brasil. Essas informações estão sendo verificadas pelo setor de inteligência da Polícia Civil, diante da suspeita de envolvimento dos dois em tráfico internacional de drogas e medicamentos adulterados.
Durante a ação em Goiânia, os policiais encontraram grande quantidade de medicamentos e insumos utilizados na falsificação, entre eles caixas de Tirzepatida e Retatrutide, ampolas, seringas, ponteiras, etiquetas e bulas falsificadas com o nome “Mounjaro”, além de dinheiro em espécie, dois celulares, uma porção de cocaína e um comprimido de êxtase.
A perícia confirmou que as canetas injetoras eram adulteradas — recarregadas com Tirzepatida e rotuladas falsamente como “Monjaro”, produto de alto valor no mercado farmacêutico.
As investigações revelaram ainda que o casal já havia sido preso no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (MG), em caso amplamente noticiado pelo portal Metrópoles, após serem flagrados transportando canetas de “Monjaro” escondidas em garrafas de uísque — um padrão de crime semelhante ao atual.
Os suspeitos moravam em um condomínio de luxo em Goiânia, mantendo alto padrão de vida sem ocupação profissional compatível, o que, segundo a polícia, indica que o lucro com a venda dos medicamentos falsificados financiava o estilo de vida do casal.
Ambos foram autuados em flagrante pelo artigo 273, §1º-B, incisos I e V, do Código Penal, que trata da venda e distribuição de medicamentos falsificados e sem registro na Anvisa — crime equiparado ao tráfico de drogas, com pena de 10 a 15 anos de reclusão, sem direito a fiança, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As imagens dos investigados estão sendo divulgadas com base na Portaria nº 547/2021 da Polícia Civil de Goiás, para auxiliar na identificação de possíveis novas vítimas que tenham adquirido produtos adulterados do casal.
“Trata-se de um casal de alto padrão, reincidente e com possíveis ligações internacionais. Eles chegaram a manter um restaurante no Reino Unido e agora voltaram a atuar no Brasil com a mesma lógica criminosa: transformar produtos falsificados em lucro, colocando vidas em risco”, disse Teófilo.



