Defensoria Pública de Goiás afirma que emissoras teriam incitado linchamento virtual contra Sarah Araújo, vítima da tragédia

A Defensoria Pública de Goiás processou as Emissoras por supostamente estimular o linchamento virtual contra Sarah Araújo, mãe das duas crianças assassinadas pelo pai, Thales Machado, no caso que ficou conhecido como a tragédia de Itumbiara.
Os vídeos – que teriam sido produzidos por um detetive contratado por Thales – geraram uma onda de comentários de pessoas culpando Sarah pelo crime cometido pelo marido. As vítimas foram Miguel, de 11 anos, e Benício, de 8. Depois de atirar nos filhos, Thales tirou a própria vida. Ele era secretário de Governo da prefeitura de Itumbiara e genro do prefeito Dione Araújo.
Procuradas pela Folha, Record e SBT não se manifestaram. A CNN Brasil diz que ainda não foi notificada e afirma que não publicou o vídeo em questão. A Globo diz que ainda não foi informada oficialmente do processo.
A ação afirma que ficou comprovado que Sarah estava solteira e que não mantinha mais um relacionamento amoroso com Machado na época do crime. A exibição do vídeo pelas emissoras teria causado um linchamento virtual contra a vítima, que foi apontada como alguém que estaria traindo o marido. Como consequência, ela chegou a ser ofendida durante o enterro dos filhos e precisou de escolta policial no local.
Um caso manchado pelas fake news
Como se não bastasse a dor causada por Thales, a tragédia que aconteceu em Itumbiara foi marcada também pela enxurrada de notícias falsas criadas por perfis de rede social oportunistas que queriam ganhar engajamento em cima do interesse pelo assunto. A onda de fake news incomodou inclusive a Polícia Civil, que divulgou nota para desmentir um boato nesta segunda-feira (23).
A informação falsa dessa semana saiu em um canal de televisão com o título: “tragédia ganha novos desdobramentos”. Em um print de grupo de Whatsapp ao qual o Mais Goiás teve acesso, um delegado desabafa: “uma rede dessa… sem confirmar NADA com quem está investigando…divulgar isso? Eles nos citam ainda. A troco de que?”.

O infarto do prefeito
Nas primeiras horas da manhã do dia 12 de fevereiro, circulou o boato de que o prefeito de Itumbiara, Dione Araújo, havia sofrido um infarto depois que soube que o genro dele, Thales, havia tirado a vida dos dois netos. Era mentira: Poucas horas depois, Dione estava no velório de Miguel, uma das vítimas, acompanhado de familiares e de amigos como o governador Ronaldo Caiado e o vice-governador Daniel Vilela.
A carta de Sarah
Dois ou três dias depois do enterrar Benício, o filho mais novo, Sarah Araújo teve o nome envolvido em uma suposta carta que teria escrito fazendo reflexões sobre a tragédia. A carta era falsa.
A morte do menino mais novo
Pouco antes das 11h do dia da tragédia, familiares e amigos espalharam a informação de que a criança mais nova atingida pelos disparos, Benício, já estava morto. Tecnicamente, a notícia estava equivocada. Ele de fato havia entrado em protocolo de morte cerebral, mas esse é um procedimento que pode levar até 72h até que os médicos tenham total segurança de que o quadro do paciente é irreversível. Benício viria a falecer bem depois.
Mudança no rumo da investigação policial
A mais recente fake news sobre o caso foi a de que “novos desdobramentos” teriam levado a Polícia Civil a tratar o caso como possível homicídio. A polícia desmentiu peremptoriamente o boato.


