Nikolas Ferreira (PL-MG) e a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) vêm se opondo à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) elevou o tom das críticas nesta sexta-feira (8) ao responder às manifestações de Nikolas Ferreira (PL-MG) e da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC), que vêm se opondo à pré-candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina. Em vídeo publicado nas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que há uma hierarquia a ser respeitada dentro do partido e mandou um recado direto aos dissidentes: “Não gostou, vai para outro partido.”
A declaração de Eduardo ocorre em meio ao acirramento de disputas internas no PL, provocado pela tentativa de Carlos, vereador do Rio de Janeiro, de concorrer por outro estado. A pré-candidatura do filho “02” do ex-presidente enfrenta resistência de parte da ala catarinense da legenda, que teme prejuízos eleitorais locais.
Eduardo compartilhou nas redes sociais uma publicação crítica a Nikolas, que o acusava de liderar uma “dissidência” dentro do partido. O texto dizia que o deputado mineiro estaria tentando se afastar de Jair Bolsonaro para construir uma imagem política independente: “O problema? O de sempre: temos que nos descolar do Bozo sem perder o eleitor.” A postagem foi posteriormente apagada, mas já havia circulado amplamente entre apoiadores.
A crise também envolve Ana Campagnolo, aliada de Nikolas, que tem defendido publicamente a candidatura da deputada federal Carol de Toni (PL-SC) ao Senado. Segundo Campagnolo, a entrada de Carlos Bolsonaro na disputa “tira o espaço” da colega e dificulta a formação de uma chapa puramente bolsonarista.
“O que estou tentando dizer é que o Carlos poderia ser candidato ao Senado em qualquer estado, e que a vinda dele para Santa Catarina tira o espaço da Carol de Toni. Eles entendem que a minha lealdade tem que ser expressa em apoiar os planos do Carlos, mesmo que isso enfraqueça os planos do PL”, declarou a deputada.
Campagnolo também mencionou um suposto acordo entre o governador Jorginho Mello (PL) e Jair Bolsonaro para apoiar a reeleição do senador Esperidião Amin (PP-SC), o que complicaria ainda mais os planos de uma chapa 100% PL no estado. Em resposta, Eduardo Bolsonaro afirmou que Campagnolo estaria “comprando briga” e agindo “de maneira quase desesperada” contra seu irmão. Ele reforçou que a decisão sobre a candidatura de Carlos já teria o aval do ex-presidente:
“Meu pai já decidiu. Carlos será candidato ao Senado por Santa Catarina. Se você é do partido do Bolsonaro, existe uma hierarquia a ser seguida. Bolsonaro vai falar, e você vai seguir. Não gostou, vai para outro partido”, disse. A disputa expõe as divisões internas no PL entre a ala mais fiel ao ex-presidente e os parlamentares que defendem maior autonomia regional. O impasse ocorre num momento em que o partido tenta definir suas principais candidaturas para as eleições municipais e preparar terreno para 2026.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que o embate entre Eduardo e Nikolas sinaliza uma disputa de liderança dentro da nova geração bolsonarista, com impacto direto sobre o futuro do grupo político.



