Bem-vindo – 12/03/2026 20:00

Flávio Bolsonaro pede apoio a Ratinho Jr. no 1º turno e aliados lembram pacto descumprido em 2024

Oferta enfrenta resistência de aliados do paranaense

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quer o apoio do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), à sua candidatura à Presidência da República. Mas a oferta enfrenta resistência de aliados do paranaense.

O coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), ofereceu a Ratinho uma aliança para o primeiro turno das eleições de outubro. A conversa foi feita nesta quarta-feira, 11, em Brasília, a convite do parlamentar.

O aceite implicaria ao governador abrir mão da vaga hoje em disputa dentro do próprio PSD. Outros dois governadores, o de Goiás, Ronaldo Caiado – este ainda não filiado mas com promessa de se juntar ao PSD -, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, competem entre si para se cacifar como candidato ao Palácio do Planalto pela sigla.

Ratinho respondeu a Marinho que o PSD não decidiu ainda quem será o presidenciável e que ele não pode responder pela legenda, segundo aliados do governador. Os dois combinaram de se falar dentro de duas semanas, e outra conversa deve ser feita até o fim de março.

“Nós do PL temos respeito e admiração pelo trabalho do governador. Em nenhum momento se tratou de ultimato ou condicionantes. Deixei claro que gostaríamos de contar com o governador no primeiro turno, mas que respeitaríamos a sua decisão e de seu partido”, afirma Marinho.

Aliados de Ratinho dizem que o governador levaria a Flávio a irritação provocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas eleições municipais de 2024. À época, PSD tinha um acordo para o PL indicar o vice na chapa do candidato à prefeitura de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), apadrinhado de Ratinho.

Embora o PL tivesse escolhido o bolsonarista Paulo Martins para a vaga, Bolsonaro acabou ficando ao lado da rival Cristina Graeml (então no PMB, hoje no União Brasil), o que enfureceu o grupo de Ratinho.

O apoio declarado de Bolsonaro a Graeml às vésperas do primeiro turno foi visto como fundamental para que a jornalista de 54 anos, novata na política, garantisse seu lugar no segundo turno – ela acabaria derrotada. O episódio também pegou o PL de surpresa.

Lideranças do PSD paranaense agora querem evitar uma nova traição nas eleições deste ano.

Sem a impulsividade de Bolsonaro, hoje preso no presídio da Papudinha e afastado das articulações políticas, Marinho e Flávio querem manter Ratinho próximo desde o começo. “Mas começaram mal”, resume uma pessoa próxima ao governador.

Marinho incomodou pessedistas depois de afirmar, durante uma entrevista ao site Poder360, que “só existem dois partidos no Brasil, o PT e o PL”. Para os paranaenses do PSD, a afirmação menospreza outros partidos dos quais Flávio vai precisar em outubro para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio vem discutindo opções para garantir um palanque no Paraná, caso Ratinho não aceite aderir desde já à pré-campanha bolsonarista. Uma delas é apoiar o senador Sergio Moro (União), que tenta construir sua empreitada ao governo estadual.

Um acordo mantido desde 2024 é que uma das vagas ao Senado a serem apoiadas pelo PSD seria do PL: no caso, do deputado federal Filipe Barros. Graeml vem tentando conquistar apoio à sua pré-candidatura. Ela se reuniu tanto com Marinho quanto com Moro no Senado Federal nesta semana.

Graeml, no entanto, pode não arrebatar o apoio de Flávio. Isso porque uma lista de anotações feitas pelo senador sobre a situação das chapas nos Estados, documento obtido pelo Estadão e outros veículos de imprensa, consta o seguinte comentário: “não dá (para apoiar), atrapalha Filipe”, sugerindo que ela pode roubar os votos do candidato oficial da família Bolsonaro.

Nos planos dos dirigentes do PL, há também a opção de apoiar Guto Silva (PSD), candidato de Ratinho Júnior, o que agradaria ao partido de Gilberto Kassab.

 

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