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Operação Old West: MP denuncia 13 por lavagem de R$ 30 milhões

Investigação aponta uso de “laranjas” e participação de familiares, incluindo esposa, filhos e noras. Operação foi deflagrada em 2023

A organização criminosa liderada pelo empresário Ronaldo de Oliveira foi denunciada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) por lavagem de dinheiro e associação criminosa, no âmbito da Operação Old West. A acusação atinge 13 investigados, incluindo familiares do empresário, e ainda será analisada pela Justiça. A operação foi deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), em dezembro de 2023, para apurar fraudes no transporte público rural do DF e corrupção de agentes públicos.

Na época da operação, Ronaldo de Oliveira, a esposa dele, Soraya Gomes da Cunha, e os filhos do casal Paulo Victor Viegas de Oliveira e Pedro Henrique Viegas de Oliveira chegaram a ser presos preventivamente durante a investigação conduzida pela 18ª Delegacia de Polícia (Brazlândia).

No entanto, os investigados acabaram soltos porque o Ministério Público não apresentou denúncia dentro do prazo esperado após as prisões. Sem a acusação formal, as defesas alegaram excesso de prazo nas preventivas, o que levou à revogação das prisões. Mesmo após deixarem a cadeia, os alvos continuaram submetidos a medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a investigação, Ronaldo e familiares são acusados de integrar uma organização criminosa responsável por operar um esquema de lavagem de dinheiro com uso de ao menos 15 “laranjas” e testas de ferro para ocultar recursos obtidos por meio de fraudes no transporte público rural do DF.

Os investigados usavam empresas de fachada, supermercados e contas bancárias abertas em nome de familiares e terceiros para esconder a origem do dinheiro obtido com as fraudes no transporte público rural do DF. Segundo a investigação, até filhos menores de idade de Ronaldo de Oliveira e da esposa dele, Soraya Gomes da Cunha, tiveram contas usadas no esquema. Ao todo, a corporação estima que o grupo tenha movimentado mais de R$ 30 milhões, sendo que o empresário teria desenvolvido um sistema sofisticado para lavar mais de R$ 31 milhões.

De acordo com a PCDF, os valores recebidos pelas empresas ligadas à organização eram rapidamente transferidos para contas-poupança ligadas aos “laranjas”, muitas vezes por meio de depósitos feitos diretamente na boca do caixa. Depois, o dinheiro era sacado em espécie ou enviado para outras contas para dificultar o rastreamento pelas autoridades.

As apurações apontam ainda que os envolvidos faziam depósitos fracionados, geralmente abaixo de R$ 50 mil, para evitar alertas automáticos ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Em alguns casos, os recursos saíam das empresas, passavam pelas contas dos “laranjas” e retornavam posteriormente às próprias empresas da organização, dando aparência de legalidades as movimentações.

Segundo a polícia, a estrutura era usada para ocultar patrimônio, evitar bloqueios judiciais e disfarçar dinheiro obtido por meio de fraudes contra a administração pública e corrupção de agentes públicos.

Analista recebia propina

O pagamento de propina a um analista do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajudava a proteger o esquema de lavagem de dinheiro comandado por Ronaldo de Oliveira e garantir o funcionamento da rede de “laranjas” usada para ocultar recursos obtidos com fraudes no transporte público rural do DF.

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