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Primeira sessão da Comissão da Mulher com Erika Hilton não aprova nada e tem microfone cortado

Erika Hilton nega as acusações e diz que críticas feitas por ela tiveram os intolerantes como destino.

A primeira sessão da Comissão da Mulher da Câmara sob a presidência da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), realizada nesta quarta-feira, 18, terminou sem nenhuma proposta aprovada, depois de um clima tenso na sala, com críticas de deputados da oposição à condução do trabalho e a tentativas da parlamentar de rebater os colegas.

A oposição, majoritariamente composta por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disse que vai apresentar recurso contra a eleição que colocou Erika Hilton no comando da comissão e também pretende protocolar representação no Conselho de Ética contra a deputada.

Esse grupo alega que a presidente da comissão ataca e persegue mulheres. Erika Hilton nega as acusações e diz que críticas feitas por ela tiveram os intolerantes como destino.

Parlamentares articulam ainda a apresentação de um projeto de resolução para acrescentar no Regimento Interno da Câmara um item que proíba mulheres não biológicas de assumirem a Comissão da Mulher.

Durante a sessão, oposicionistas reclamaram que seus requerimentos, apresentados horas antes, não constavam na pauta de votação do colegiado. Erika Hilton afirmou que os textos não estavam na agenda do dia da comissão por questões técnicas.

Houve uma tentativa de se chegar a um acordo para a votação de propostas de consenso entre os dois lados. Sem êxito, a sessão terminou depois de pouco mais de duas horas de duração.

Erika Hilton se comprometeu a colocar os requerimentos da oposição na pauta da próxima sessão, que deve ocorrer em abril. A Câmara deverá ter duas semanas com pouco trabalho em razão das negociações políticas durante a janela partidária, aberta no começo deste mês de março.

A oposição mencionou publicações feitas por Erika Hilton nas redes sociais para reforçar a reprovação a ela. “A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa”, escreveu Erika Hilton em publicação na semana passada.

A nova presidente da comissão adotou postura defensiva em suas declarações durante a sessão. A orientação de bancada do PSOL era evitar tumultos para que a reunião do colegiado tivesse andamento.

“Aquela postagem não se referia às mulheres, aquela postagem se referia ao esgoto da sociedade, à internet e às redes sociais”, justificou Erika Hilton. “Então, Vossa Excelência reforça aquilo que Vossa Excelência disse?”, perguntou a deputada Chris Tonietto (PL-RJ). “Claro”, respondeu Erika Hilton.

O embate entre integrantes do PSOL e oposição perdurou na reunião da comissão, especialmente na discussão sobre o uso da palavra “imbeCIS” – com destaque no sufixo cis, referência a pessoas que não são trans. “‘ImbeCIS’ faz referência aos transfóbicos e ao esgoto da sociedade. Essas pessoas rebaixam o debate público”, reafirmou Erika Hilton.

“O Ratinho é esgoto da sociedade, presidente?”, perguntou a deputada Júlia Zanatta (PL-SC), que teve o microfone cortado para Erika Hilton continuar a falar. “A deputada Gisela (Simona), a outras deputadas que eu não tenho trato, até as deputadas que eu acho intragáveis, eu jamais me referiria a elas dessa maneira”, afirmou.

Na última quarta-feira, 11, horas depois de Erika Hilton ser eleita para presidir a Comissão da Mulher, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, disse em seu programa no SBT que era contra a escolha da deputada para o cargo, porque “ela não é mulher, ela é trans”.

Erika Hilton pediu investigação criminal e danos morais coletivos ao Ministério Público contra Ratinho e suspensão do programa dele por 30 dias ao Ministério das Comunicações. Ratinho disse que não vai mudar de opinião.

O deputado federal Pastor Eurico (PL-PE) perguntou para Erika Erika Hilton durante a sessão sobre a anatomia do corpo da deputada. “Se Vossa Excelência é mulher, qual o tamanho do seu útero?”, questionou, causando tumulto na sala.

“Honestamente, enquanto tem gente que pergunta o tamanho do útero dos outros no Brasil, mulheres estão sendo assassinadas todos os dias pela violência machista”, criticou a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP).

Em 2024, Eurico foi condenado pela Justiça a indenizar Erika Erika Hilton em R$ 15 mil por fazer o mesmo questionamento de agora e por se referir a ela como “ex-cidadão que agora é cidadã”.

Bomfim defendeu a tentativa de votar algo na sessão, em vez de suspender a comissão por causa da declaração. “Acredito que as mulheres brasileiras têm pressa. Tem mulher sendo arrastada, tem criança sendo estuprada, 34 mil meninas estão casadas, sendo que a lei brasileira proíbe”, afirmou.

Estadão Conteúdo.

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