Dois crimes brutais, dois anos de intervalo, e um mesmo nome entre os suspeitos: a comunidade pede respostas e justiça.

A dor do luto e a revolta diante da impunidade uniram duas famílias do Distrito do Jardim Ingá. Sandra Maria dos Santos, de 50 anos, casada e mãe de quatro filhos, desapareceu no dia 24 de julho de 2025. Quatro dias depois, foi encontrada morta em uma área de mata nas proximidades do campo de futebol do Parque Estrela Dalva X. O corpo foi localizado com requintes de crueldade, gerando comoção e indignação em toda a comunidade.
O que torna o caso ainda mais revoltante é o fato de um dos detidos pela morte de Sandra já ter sido apontado como autor em outro assassinato, ocorrido dois anos antes: o de Roberto Caetano de Souza, de 51 anos, também morador do Jardim Ingá. Roberto desapareceu em julho de 2023 e foi encontrado morto 15 dias depois, dentro de uma cisterna de seis metros de profundidade. O crime teve grande repercussão, e parte dos envolvidos foi julgada e condenada. Entre eles, o homem que, hoje, volta a ser investigado por outro homicídio.
No caso de Roberto, esse suspeito confessou participação no assassinato e, por ter contribuído com as investigações, foi beneficiado pela Justiça com o direito de cumprir a pena em regime semiaberto. Como o julgamento só ocorreu dois anos após o crime, a pena foi atenuada com base na detração, e ele voltou rapidamente às ruas após a sentença. Segundo moradores do bairro, ele sequer utilizava tornozeleira eletrônica, mesmo estando sob restrição. “Estava solto, andando normalmente, como se nada tivesse acontecido. Nem tornozeleira ele usava”, afirmou uma moradora que pediu para não ser identificada.
Agora, esse mesmo homem aparece novamente entre os três detidos pelo assassinato de Sandra. A Polícia Civil de Luziânia conduz a investigação e tenta esclarecer os detalhes do crime. Enquanto isso, a comunidade busca respostas: como alguém que já confessou um homicídio e deveria estar sendo monitorado circulava livremente e, supostamente, participou de mais uma tragédia?
As famílias de Sandra e Roberto convivem com o luto e agora compartilham a mesma indignação. “A Justiça falhou. Ele já tinha confessado participação na morte do meu pai. Era para estar pagando pelo que fez. Mas ficou livre, e agora mais uma família chora”, desabafou uma das filhas de Roberto Caetano, que se solidariza com a dor da família de Sandra.
A revolta se espalha pelo Jardim Ingá, onde moradores demonstram cansaço diante de um sistema que, em vez de proteger, permite a repetição de tragédias. “Quantos ainda vão precisar morrer para que a Justiça deixe de ser tão branda com quem tira a vida dos outros?”, questiona uma moradora.
Enquanto as investigações seguem, o sentimento é de impotência diante da reincidência e da falha no cumprimento de medidas judiciais. A esperança agora está na atuação firme das autoridades e do Poder Judiciário, para que os responsáveis por essas mortes sejam punidos com o devido rigor da lei.



