Bem-vindo – 29/05/2026 11:59

Benefícios sociais causa falta de mão de Obra no setor Atacadistas

Dificuldade para contratação levou Sindiatacadista-DF e GDF a discutirem ações para fortalecer o setor

Em meio às discussões importantes sobre mudanças nas jornadas e escalas de trabalho no País, outra discussão também movimenta o setor, a dificuldade para preencher vagas de emprego no setor atacadista do Distrito Federal. Atualmente, cerca de 300 postos seguem abertos, sem candidatos suficientes para atender à demanda das empresas. O cenário motivou uma reunião entre o presidente do Sindiatacadista-DF, Alaor Gomes Neto, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do DF, Thales Mendes Ferreira, para discutir medidas voltadas à geração de empregos.

Durante o encontro, lideranças empresariais e representantes do setor discutiram pautas estratégicas para o fortalecimento do segmento atacadista no Distrito Federal. Entre os temas centrais estiveram iniciativas voltadas à geração de empregos e à qualificação da mão de obra, além de propostas de aprimoramento do programa Emprega DF para ampliar sua efetividade junto às empresas.

Também foram debatidas medidas para estimular o comércio eletrônico, com destaque para a possibilidade de criação de um regime especial destinado ao e-commerce, bem como a necessidade de modernização e adequação das áreas de desenvolvimento econômico que atendem o setor atacadista.

“A esse cenário soma-se a questão dos benefícios sociais, que, da forma como estão estruturados hoje, acabam por dificultar ainda mais a entrada dessa nova geração no mercado de trabalho formal”, ressalta o presidente, pontuando que as vagas mais difíceis de preencher são as que demandam maior esforço físico, sobretudo as funções de carga e descarga, que concentram hoje a maior parte da carência de profissionais no setor.

A escassez de trabalhadores tem impacto direto e significativo na operação, na produtividade e no crescimento dos estabelecimentos atacadistas. “Essas empresas são, em essência, grandes operadores logísticos, e o crescimento do setor se dá pelo incremento das vendas e, por consequência, pelo aumento da movimentação de cargas. Dessa forma, a escassez de mão de obra compromete diretamente a capacidade de expansão dos associados ao sindicato”, explica Neto.

O Sindicato avalia que salários, benefícios e condições de trabalho influenciam diretamente nessa dificuldade de contratação. “Esses pontos Influenciam de maneira decisiva. Prova disso é que a maioria dos nossos associados já pratica remuneração acima do piso previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), justamente como estratégia para atrair e reter colaboradores em um mercado cada vez mais competitivo”, comenta a instituição.

A entidade informou que já articula iniciativas em parceria com a Secretaria de Trabalho do Distrito Federal para ampliar o recrutamento e a qualificação de profissionais para o setor atacadista. Segundo a entidade, a pasta deverá disponibilizar sua base de currículos para auxiliar no preenchimento de vagas das empresas associadas, além de divulgar as oportunidades no site oficial da Secretaria.

“A Secretaria também disponibilizará sua estrutura física, incluindo a Carreta do Trabalhador, para que os associados possam realizar processos seletivos nesses espaços”, destacou o presidente do Sindicato. A entidade também ressaltou que, entre os dias 13 e 16 de junho de 2026, os associados participarão de um feirão de empregos promovido pelo governo local, com estandes voltados ao recrutamento de trabalhadores.

Na avaliação do Sindicato, o setor atacadista precisará investir cada vez mais em modernização e automação logística para reduzir a dependência de atividades estritamente físicas e tornar as funções mais atrativas para as novas gerações. “Paralelamente, será fundamental ampliar os programas de qualificação e estruturar planos de carreira que ofereçam perspectivas concretas de crescimento dentro das empresas”, afirmou a entidade.

A instituição também defende a valorização do ambiente de trabalho, com melhores condições, maior previsibilidade de jornada e benefícios mais alinhados ao perfil atual dos trabalhadores como estratégia para retenção de talentos. O sindicato avalia ainda que o poder público pode desempenhar papel decisivo na redução da falta de mão de obra no setor, especialmente por meio de programas de capacitação profissional alinhados às demandas reais das empresas.

“A integração entre as bases de currículos governamentais e as vagas das empresas é um exemplo de medida de baixo custo e alto impacto”, afirmou Alaor. Segundo o sindicato, a Secretaria de Trabalho do DF também estuda abrir novas turmas de cursos profissionalizantes em parceria com Senai e Senac, conforme sugestões apresentadas pelos associados. Para a entidade, a revisão de benefícios sociais, de forma a estimular o ingresso no emprego formal, aliada ao incentivo à qualificação técnica voltada à logística, também ajudaria a reduzir a carência de trabalhadores no atacado.

A reunião foi avaliada como positiva pelo Sindiatacadista-DF, principalmente em razão da abertura demonstrada pelo secretário ao diálogo com as demandas apresentadas pelo setor produtivo. Segundo a entidade, o encontro reforça a importância da construção conjunta de políticas públicas que estimulem o crescimento econômico, a geração de empregos e a competitividade das empresas do Distrito Federal.

A reunião definiu a criação de um “balcão de empregos” voltado ao setor atacadista, em parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda e o Sindiatacadista-DF. A iniciativa pretende conectar empresas e trabalhadores por meio de uma plataforma de vagas e currículos alinhada às demandas do segmento. A expectativa é agilizar contratações, ampliar oportunidades de emprego e fortalecer a mão de obra especializada no Distrito Federal.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *