Documento técnico anual referente a 2025 também indica recorde de passageiros no modal aéreo

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra), divulgou quinta-feira (23/4) a 11ª edição do Relatório de Infraestrutura de Transporte, referente ao ano de 2025. Com base em dados de órgãos oficiais como Confederação Nacional do Transporte (CNT), Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a publicação anual detalha as condições dos modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e aeroportuário em Goiás.
Para o presidente do Coinfra, Célio Eustáquio de Moura, “os dados refletem uma trajetória de avanços concretos na série histórica, mas também mostram que há espaço a ser trabalhado para que Goiás alcance um maior patamar logístico no território nacional, impulsionando a competitividade do setor produtivo como um todo”. Ele destaca que, diante da Reforma Tributária, melhorar a estrutura de transportes, principalmente a rodoviária, é um diferencial em comparação às consequências negativas que as mudanças trazem. “Com uma malha de transportes de qualidade, a indústria encontra em Goiás uma qualidade no escoamento de produção, o que acrescenta na competitividade e nos benefícios de manter e trazer polos fabris para o Estado”, disse.
O levantamento aponta uma melhora qualitativa relevante no estado geral das vias: o volume de trechos classificados como “ótimo” e “bom” saltou de 2.140 km para 3.592 km, um crescimento de 68%. O dado revela avanço em comparação ao ano anterior, em que apenas 28% das vias totais se enquadram na categoria, contra os 46,8% atuais. A sinalização também recebeu destaque positivo, com aumento expressivo de 190%, passando de 1.861 km para 5.405 km de vias bem-sinalizadas.
No modal ferroviário, o cenário de queda das movimentações na Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) permanece, mas o declínio foi mais suave em comparação com o ano anterior: contra os 21% de 2024, a retração observada em 2025 foi de 3%. Por sua vez, o crescimento de 20,4% das movimentações na Ferrovia Norte-Sul (FNS) revelam um ciclo de expansão e consolidação de alta performance do trecho. O aumento de 160% no fluxo em relação a 2021, o primeiro ano de operação plena da FNS, consolida a ferrovia como o principal vetor de competitividade estrutural de Goiás.
No transporte fluvial, o Porto de São Simão, na Hidrovia Paranaíba-Paraná-Tietê, movimentou 1,04 milhão de toneladas em 2025. O dado confirma a estabilização das operações após a volatilidade de anos anteriores, reafirmando o porto como ponto estratégico para players globais, embora o volume ainda esteja abaixo do pico histórico, que foi de 2,4 milhões de toneladas em 2013.
O Aeroporto Santa Genoveva apresentou recorde histórico de passageiros, com 3,8 milhões de viajantes, uma alta de 11,4% que consolida Goiás como hub regional. No entanto, houve retração de 23% na movimentação anual de cargas, influenciada por desaceleração econômica e ajuste de estoques industriais, com migração de parte da demanda para os modais rodoviário e ferroviário.
Para o presidente da Fieg, André Rocha, os avanços são importantes, mas não devem ser a única coisa a se pensar. “O relatório mostra que Goiás está em movimento, com crescimento real e desafios ainda significativos. Os ganhos recentes precisam ser sustentados por planejamento de longo prazo, investimentos estruturantes e coordenação efetiva entre o setor público e o setor produtivo”, salientou.


