Um dos foragidos por tráfico, a mulher foi capturada ao se cadastrar em um hospital e o sistema apontou o mandado de prisão em aberto

A prisão da grávida foragida Kauany Batista dos Santos, em uma maternidade de Porto Velho (RO), revelou um esquema de tráfico interestadual de drogas que movimentou mais de 1,5 tonelada de entorpecentes oriundos da fronteira com a Bolívia. A distribuição abastecia estados da Região Centro-Oeste, como Goiás e o Distrito Federal.
A ação faz parte da Operação “Desmame”, conduzida pelo Departamento de Narcóticos (Denarc), que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa responsável por essa logística de transporte e distribuição de drogas em larga escala.

Durante a operação, foram cumpridas 81 medidas cautelares, sendo 24 mandados de prisão preventiva e 57 de busca e apreensão, nos estados de Rondônia, Goiás e no Distrito Federal. Em Rondônia, as diligências ocorreram em Porto Velho, Guajará-Mirim e Vilhena; em Goiás, em Goiânia e Aparecida de Goiânia; e, no Distrito Federal, em Brasília e Ceilândia.
Entre as diligências foi realizada mandado de busca e apreensão na casa da influenciadora digital Iza Paiva, de 26 anos. De acordo com a polícia, foram apreendidos: um carro, o celular da jovem e uma agenda com anotações de interesse para a investigação. Os materiais devem passar por perícia.
Com a prisão de Kauany, já são 15 detidos entre os alvos dos mandados de prisão. Outros nove investigados seguem foragidos. Informações podem ser repassadas pelo telefone 197 da Polícia Civil ou pelo número (69) 3216-8940.
Lista de alvos dos mandados aqui:
- Tiago Souza Brito
- Adnilson Ferreira de Sousa
- Luis Guilherme Pereira Rabelo
- Valdemir Garcia Ferreira
- Maicon Suarez Merida
- Luan Henrique Soares Lemos Brito
- Romildo Gabriel Sales Mingardo
- Darlen Lopes do Amaral
- Kaique Querino Bernardes

Foragida presa na maternidade
Kauany dos Santos foi capturada ao buscar atendimento na Maternidade Municipal de Porto Velho, acompanhada do esposo. Durante o cadastro na unidade de saúde, o sistema identificou a existência de um mandado de prisão em aberto.
Ela permanece sob custódia da Polícia Civil e deverá responder às investigações que apuram sua participação no esquema criminoso.
As investigações, iniciadas em abril de 2025, apontam que a organização possuía alto grau de sofisticação logística. O grupo utilizava caminhões com compartimentos ocultos (“mocós”) e linhas telefônicas estrangeiras para dificultar a atuação dos órgãos de inteligência.
Também foi identificada a atuação de “laranjas” para ocultação de valores ilícitos. Em um dos casos, um investigado movimentou cerca de R$ 500 mil em um ano, quantia incompatível com sua renda declarada. As medidas judiciais incluem bloqueio de ativos, sequestro de bens e aprofundamento do mapeamento patrimonial



