Bem-vindo – 16/04/2026 16:23

PF prende ex-presidente do BRB em nova fase da operação Compliance Zero

Investigação apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no sistema financeiro

A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (16), o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, no âmbito de mais uma fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de irregularidades financeiras envolvendo o banco público e o Banco Master.

Segundo as apurações, Costa teria papel central na condução de operações entre 2024 e 2025, período em que o BRB adquiriu ativos do Master que somam cerca de R$ 21,9 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 13,3 bilhões apresentam indícios de inconsistências, como ausência de lastro, falhas documentais e contratos inadimplentes — incluindo registros vinculados a pessoas já falecidas.

Um relatório de auditoria independente, elaborado pelo escritório Machado Meyer com apoio da consultoria Kroll, reforçou as suspeitas. O documento aponta que as operações eram tratadas internamente como “negócio do presidente”, conduzidas sob pressão e com pouca análise técnica.

Para evitar avaliação mais rigorosa do Conselho de Administração, as carteiras teriam sido fragmentadas, permitindo aprovações rápidas — algumas no mesmo dia.

Outro ponto investigado é a atuação da Tirreno Consultoria, suspeita de estruturar ativos sem lastro que teriam sido posteriormente adquiridos pelo BRB.

A Polícia Federal também apura operações que resultaram na entrada do banqueiro Daniel Vorcaro e de seus associados no capital do BRB. Após aumentos de capital de cerca de R$ 1 bilhão em 2024, o grupo passou a deter aproximadamente 23,5% das ações da instituição.

A auditoria indica possíveis estruturas trianguladas e simulações para viabilizar a participação de fundos que inicialmente não poderiam integrar a operação.

Paulo Henrique Costa presidiu o BRB entre 2019 e novembro de 2025, após indicação do governador Ibaneis Rocha. Antes, construiu carreira na Caixa Econômica Federal.

Ele já era alvo da investigação desde a primeira fase da operação e foi afastado do cargo por decisão judicial. Em sua defesa, nega irregularidades e afirma que as decisões eram colegiadas, seguindo práticas de mercado. Em depoimento, disse não haver “evidência concreta” de problemas nas operações.

A defesa ainda não se manifestou sobre a nova prisão. A Polícia Federal informou que as investigações continuam e não descarta novas medidas.

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