Apoiadores tanto da governadora quanto do ex-chefe do Palácio do Buriti, acreditam que rompimento levará a divisão de forças

A madrugada e o dia após a troca de farpas entre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e seu antecessor, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), até então aliados, tiveram repercussões na rotina política do DF. De um lado, aliados de ambos ainda perdidos quanto ao desenrolar dos fatos do outro a comemoração de quem acha que a leoa deve se juntar ao Partido Liberal (PL).
O clima entre os parlamentares antes base de Ibaneis e agora de Celina ainda está indefinido. Antes de deixar o cargo, o ex-governador firmou alianças com deputados, especialmente distritais, e presidentes de partidos. A intenção do ex-mandatário era garantir apoio à sua candidatura ao Senado. Até sua saída, Ibaneis se mantinha forte, com parlamentares fiéis, o mesmo não se pode dizer agora.
Outro deputado afirmou que, apesar das realizações do ex-governador, sempre com o apoio de uma ampla base, Ibaneis não tratou bem seus aliados, o que pode pesar ao fim e ao cabo das eleições, uma debandada.
“As pessoas não têm coragem de defender, nesse momento, o governador Ibaneis. A imagem dele está ruim, com essa questão do BRB e do Banco Master e, quando estava no governo, ele não cuidava dos deputados como um aliado”, desabafou outro parlamentar.
Rafael Prudente
A presença de Rafael Prudente no encontro de Ibaneis e líderes partidários, entre eles Wellington Luiz, presidente regional do MDB, e Baleia Rossi, presidente nacional da legenda, além de uma reunião de emergência de apoiadores do deputado federal, ainda na quarta-feira (20), foi um aviso de que, caso Celina prefira andar sozinha, Prudente está – como sempre esteve – no aquecimento para disputar o Palácio do Buriti.
Rafael tem bom trânsito junto aos caciques nacionais e influência na política local, principalmente pelo fato de já ter presidido a sigla no Distrito Federal e por ter presidido o Legislativo local.
Republicanos
Concretizando-se o rompimento de Ibaneis e Celina Leão, a estrutura da “já lançada” chapa à reeleição, que teria como vice-governador o ex-secretário Gustavo Rocha pelo Republicanos, está com os dias contados. A tendência é de que o partido, que possui dois deputados federais, uma senadora e uma nominata para deputado distrital muito forte, rachará no que diz respeito para que lado vai.
De acordo com uma fonte da direção do Republicanos, a tendência é que, estando com a máquina na mão e com a possibilidade de se reeleger, mantendo cargos e espaços, a legenda irá com Celina Leão. Ibaneis perderia no cabo-de-guerra, por não ter mais o que oferecer. “Rei morto, rei posto”, disse a fonte.
“O Ibaneis fechou o apoio do Republicanos por cima, para garantir o Gustavo Rocha como vice da Celina. Não sei nem se ela [Celina] foi consultada. Se eles romperem, o que eu vejo é um partido dividido, mas com certeza a vice mudará. Pode até ficar com a gente, mas não será o homem de confiança do Ibaneis”. concluiu.
Outro ponto a pender para o lado de Celina é a amizade tanto dela quanto de Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis com a senadora Damares Alves (Republicanos). A parlamentar tem voz ativa no partido – mesmo contra alguns caciques – e seu apoio independerá de quem a sigla apoie oficialmente.



