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Goiás gera 11,3 mil vagas na indústria no 1º trimestre e alcança 7ª posição no País

Dados são do Caged, compilados pela Gedin-Fieg

Goiás conquistou a 7ª posição no ranking de saldos de empregos industriais por Estado, com saldo superior a 11 mil vagas celetistas no setor produtivo. Levantamento publicado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) na quarta-feira, (13/05), compila e analisa dados fornecidos pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes ao 1º trimestre de 2026.

O resultado mantém o nível de geração de empregos industriais praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo foi de 11.318 vagas, permanecendo acima dos patamares registrados em 2020, 2022 e 2023. Para a Fieg, os dados reforçam a capacidade da indústria goiana de sustentar a atividade econômica e responder de forma dinâmica às demandas produtivas de curto prazo.

No estoque total de trabalhadores formais do estado, a indústria representa 26,2% dos vínculos celetistas, ficando atrás apenas do setor de serviços (44,1%) e à frente do comércio (21,7%) e agropecuária (8,0%). No trimestre, a indústria geral gerou 7.499 vagas, superando comércio (2.590) e construção (3.817), e ficando atrás apenas dos serviços, que lideraram com saldo de 16.526 empregos.

Goiás também responde por 3,5% do estoque de emprego industrial nacional, consolidando sua relevância nacional em segmentos industriais estratégicos. O estado concentrou 21,9% das admissões brasileiras no setor de derivados de petróleo e biocombustíveis e 17,6% na fabricação e produtos farmoquímicos e farmacêuticos, reforçando a competitividade dessas atividades no cenário nacional.

Para a analista de Desenvolvimento Industrial da Fieg, a economista Gabriela Parreira, os resultados refletem uma dinâmica positiva da atividade econômica no estado, com expansão do emprego em setores estratégicos da indústria goiana. “Quando observamos as movimentações do emprego industrial, estamos acompanhando como os setores estão reagindo ao ritmo da atividade econômica. O mercado de trabalho funciona como um termômetro da produção no curto prazo, principalmente em segmentos mais intensivos em mão de obra”, pontuou.

A análise regional mostra que o saldo positivo foi disseminado, embora ainda concentrado em polos industriais específicos. Cerca de 60% dos municípios goianos registraram geração líquida de empregos industriais no trimestre. Goiânia liderou o saldo estadual com 2.541 vagas, seguida por Anápolis (727), Santa Terezinha (669), Rio Verde (592) e Uruaçu (361).

“O emprego acompanha a estrutura produtiva local. Os municípios com maior densidade industrial tendem a responder mais rapidamente aos ciclos de expansão da atividade econômica, atraindo investimentos e ampliando a capacidade de geração de empregos”, destacou Gabriela.

Atividade e ocupações industriais

Entre os segmentos industriais, a indústria de transformação foi o principal destaque, concentrando saldo de 6.277 vagas, mais da metade do resultado total da indústria goiana. Os maiores avanços vieram da fabricação de produtos alimentícios (+2.354) e dos derivados de petróleo e biocombustíveis (+1.713), setores de grande escala produtiva e elevada absorção de mão de obra.

A construção também apresentou forte desempenho no trimestre, com saldo de 3.817 empregos. Os resultados foram puxados principalmente pelas atividades de construção de edifícios (+1.395), obras de infraestrutura (+1.342) e serviços especializados para construção (+1.080), mostrando expansão disseminada nos diferentes segmentos da atividade construtiva.

No recorte por ocupação, os maiores saldos concentraram-se em funções operacionais ligadas diretamente à produção e à construção. A ocupação de “embalagem e alimentação de produção” liderou a geração de empregos no estado, com saldo de 2.468 vagas, seguida por ajudantes de obras (+2.153) e trabalhadores da construção civil (+1.494).

A analista de Desenvolvimento Industrial da Fieg ressalta que “saldos elevados, a depender da dinâmica setorial, podem refletir tanto a expansão da atividade quanto efeitos sazonais da produção, especialmente em segmentos mais intensivos em mão de obra e mais sensíveis ao ritmo da demanda no curto prazo, além de evidenciarem as ocupações profissionais mais demandados no período”.

A análise por porte dos estabelecimentos mostra diferenças importantes entre os setores. Na construção civil, os maiores saldos concentraram-se em micro e pequenos estabelecimentos, como nos serviços especializados para construção (+1.516 vagas em empresas com até nove vínculos) e na construção de edifícios (+1.128).

Já na indústria de transformação, os maiores avanços ocorreram em grandes plantas industriais. A fabricação de produtos alimentícios registrou saldo de +911 vagas em empresas com mais de mil empregados, enquanto os derivados de petróleo e biocombustíveis somaram +630 vagas nesse mesmo porte.

Salários de entrada

Outro destaque do levantamento foi os salários de admissão. Aproximadamente 90% das contratações industriais concentraram-se em faixas salariais de até dois salários mínimos (R$ 3.242), indicando que a expansão do emprego ocorreu principalmente em ocupações operacionais e de menor remuneração média.

“Na prática, esse movimento sugere um ajuste via reposição de postos operacionais, associado a maior rotatividade. As faixas salariais mais elevadas seguem restritas a poucos segmentos, e como se trata de salários de entrada, a evolução ao longo do vínculo exige uma análise mais estrutural, enquanto o enfoque do levantamento permanece no curto prazo”, explica Gabriela Parreira.

Perfil dos desligamentos

Nos desligamentos, 47,4% ocorreram por demissões sem justa causa, enquanto 35,2% corresponderam a rescisões a pedido, evidenciando a combinação entre estratégias empresariais e escolhas individuais na dinâmica do emprego. Para a Fieg, o movimento indica um mercado de trabalho ainda aquecido, com maior rotatividade e ajustes diretamente relacionados ao ritmo da atividade econômica e da demanda industrial.

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