O Ministério Público também apontou suspeita de fraude processual, sustentando que os acusados teriam colocado uma espingarda próxima ao corpo da vítima para modificar a cena do crime.

Uma sessão do Tribunal do Júri realizada em Luziânia teve um procedimento incomum durante o julgamento de um caso de homicídio ocorrido na zona rural do município. O juiz Victor Alvares Cimini Ribeiro, jurados, representantes do Ministério Público e advogados de defesa deixaram o fórum e seguiram até a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, onde os fatos investigados aconteceram.
O julgamento durou três dias consecutivos e terminou com a absolvição do fazendeiro Cleiton da Silva Gomes e do caseiro Jocivaldo Ribeiro de Abreu.
A diligência foi realizada durante a própria sessão plenária para esclarecer pontos discutidos ao longo do processo, principalmente sobre a localização da fazenda, a distância entre propriedades vizinhas e a possibilidade de as vítimas terem entrado na área dos acusados.
O caso envolvia a morte de João Cláudio Gonçalves dos Santos e as tentativas de homicídio contra Lucas Gabriel Pereira da Silva e Daniel Gonçalves Duarte. Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu no dia 14 de março de 2021.
De acordo com a acusação, as vítimas chegaram ao local em motocicletas e teriam sido surpreendidas por disparos efetuados por Jocivaldo. João Cláudio morreu ainda na fazenda, enquanto os outros dois conseguiram fugir.
O Ministério Público também apontou suspeita de fraude processual, sustentando que os acusados teriam colocado uma espingarda próxima ao corpo da vítima para modificar a cena do crime.
Durante o julgamento, a defesa apresentou a tese de legítima defesa. Os jurados acolheram a versão de que João Cláudio, Lucas e Daniel teriam rompido cadeados da propriedade e avançado em direção à sede da fazenda, momento em que Jocivaldo utilizou armas pertencentes a Cleiton para realizar os disparos.
Os jurados também entenderam que não houve alteração da cena do crime e afastaram a acusação de fraude processual, concluindo que a espingarda encontrada ao lado do corpo pertencia às próprias vítimas.
Como o julgamento se estendeu por três dias, os jurados permaneceram hospedados em um hotel da cidade durante todo o período, seguindo a regra de incomunicabilidade prevista nas sessões do Tribunal do Júri.
As informações sobre o julgamento foram divulgadas pelo portal Rota Jurídica.


